Quando temos um secretário de Estado que perante o Estado de calamidade dos incêndios afirma que não arde mais nas áreas de responsabilidade de gestão do Estado, é pertinente perguntar qual a área total ardida nas áreas submetidas a Regime Florestal desde, pelo menos, 1990 (data a partir da qual são disponibilizados dados cartográficos pelo ICNF).

Peguemos como exemplo, o concelho de Mondim de Basto área onde o SBTMAD tem feito e desenvolvido trabalho junto das comunidades baldias através do Grupo de Baldios recentemente constituído. Utilizando dados cartográficos publicados pelo ICNF revelam que cerca de 85% da área ardida acumulada desde 1990 ocorreu em área baldia submetida a regime florestal e em regime de co-gestão com o Estado e apenas 15% em área particular. Isto é, dentro da área do Perímetro Florestal de Mondim de Basto, com uma área total de 11.046,5 ha, arderam cumulativamente 11.481 ha desde 1990. A esta haverá ainda somar a área ardida anterior a 1990, para a qual não existem dados publicados. Com este exemplo apenas se pretende realçar e chamar a atenção do Secretário de Estado para os resultados desta gestão e a pouca seriedade das suas afirmações ao afirmar  "que lhe apontem a má gestão das áreas baldias mal geridas”. É caso para dizernão consegue ver o argueiro no seu próprio olho" .

Só nos dois maiores incêndios que ocorreram no mês de Agosto neste Concelho em 2013, que abrangeram sobretudo a Freguesia de Ermelo e Atei estima-se uma área total ardida de cerca de 3.200 ha dos quais pelo menos 2.600 são área florestal baldia, onde o Estado é o co-gestor. A análise previsional dos prejuízos provocados por este incêndio leva-nos para valores de aproximadamente 11 milhões de euros, entre valores de substituição da floresta, depreciação de material lenhoso (prejuízo imediato), valores de perda/expectativa não cumprida (prejuízo futuro em 25 anos) e valor de destruição de activos como a resina. Junte-se a estes prejuízos a componente social ao colocar em causa um conjunto de empregos rurais directamente relacionados com a floresta, como resineiros e madeireiros agravando fortemente a sustentabilidade social destas áreas e agravando a desertificação

Peguemos nestes dados e extrapolemos para o distrito de Vila Real e Bragança onde cumulativamente apenas neste ano de 2013 arderam 36 482 ha e tenhamos consciência de que os incêndios e a falta de políticas adequadas para que estes não tomem as proporções que têm tido, são uma das maiores condicionantes à sustentabilidade das zonas rurais.

O que se precisa na verdade é de menos retórica, mais e melhor trabalho e politicas que se adeqúe ao nosso mundo rural.

 

A Direcção do SBTMAD                                                                                                                             

 

 

Selecione no mapa a Associada que pretende

 

 

 

untitled

 

 

 

Previous ◁ | ▷ Next

  Siga a BALADI no