A génese do Movimento Nacional dos Baldios, materializada no projeto BALADI e outras associações de compartes, é encontrada nas ações de resistência popular, no silêncio e amargura de muitos camponeses do norte e centro do país à espoliação das suas terras baldias, acompanhada por perseguições, proibições e prisões de tão má memória. Assuntos de muitas conversas ao redor das lareiras das gentes Beirãs, Transmontanas e Minhotas, onde ardia a lenha e a carqueja dos baldios, mas também a revolta!
Foi um período negro da história do país, o início do esbulho dos baldios pela ditadura de Salazar, com a submissão dos Baldios ao Regime Florestal tendo por base a Lei nº 1938, eufemisticamente conhecida por Lei do Povoamento Florestal. Em contexto político e social o roubo dos baldios aos povos serranos emerge como um dos eixos centrais de ataque à agricultura familiar do Norte e Centro do País e que conduz, à emigração e à trágica erosão demográfica do mundo rural Português, uma vez que, como era de esperar, o roubo das terras baldias significou a venda de animais, liquidação das explorações agrícolas, abandono e desertificação das zonas serranas. Foi também o início de uma luta sem tréguas de organização e resistência, face à submissão dos terrenos baldios ao Regime Florestal por parte dos Serviços Florestais. Luta imortalizada na obra literária do Mestre Aquilino Ribeiro no livro “Quando os Lobos uivam”. Os povos nunca se conformaram, resistiram às ocupações um pouco pelo País desde Castro Laboreiro e Soajo ao Gerês, Barroso, Montezinho e da mítica “serra dos Milhafres” à Serra das Talhadas, Concelho de Sever de Vouga. Foi uma luta verdadeiramente heroica, tão bem retratada no Livro do jornalista “Armando Pereira da Silva – Ocupação sem limites”.
Dado este lastro de ação e luta, a vontade e o querer das gentes rurais, conjugado com o 25 de Abril, não admira que de imediato reclamassem junto do novo Poder de Abril a restituição dos seus terrenos baldios, ocupados pelos Serviços Florestais. Entre fevereiro e abril de 1976, estas aspirações serranas foram de imediato legalmente consagradas com a saída das leis nº 39/76 e 40/76, que devolveram sem delongas este património aos seus legítimos donos – Os Compartes. Em abril desse ano, a Assembleia Constituinte promulgou na Constituição da República Portuguesa – CRP que, no seu ordenamento jurídico-constitucional, definiu estes bens comunitários como bens pertencentes às Comunidades Locais. Uma caracterização específica para a relação de propriedade entre os compartes e as terras comunais, uma propriedade comum, nem pública nem privada! É justo afirmar que tal aquisição e consagração constitucional destes bens comunitários, na nossa CONSTITUIÇÃO, é não só a maior dádiva que abril deu aos Povos Serranos, como ainda a maior valorização jurídico-constitucional da história milenária destes bens comunitários.
Promulgadas que foram as primeiras Leis dos Baldios em 1976 – Decreto-Lei 39/76 e Decreto-Lei 40/76 com o clima de liberdade que se instituiu com a Revolução de Abril, no respaldo da luta dos Povos e dos restantes trabalhadores da cidades que já vinha do tempo da ditadura, facilitada com as “portas que Abril abriu” assistiu-se a catadupas de reuniões populares, para a constituições de Comissões de aldeia, para tratar de problemas locais e simultaneamente organizarem a forma como iam gerir os baldios. Toda essa movimentação, teve vários momentos historicamente significativos como em Agosto de 1974, uma grande concentração em Sever do Vouga, onde se aprovou solenemente a declaração “OS BALDIOS usurpados pelos Serviços Florestais e pelos grandes proprietários devem ser restituídos ao povo”, documento dirigido ao Primeiro-ministro Vasco Gonçalves e Ministros Victor Alves e Álvaro Cunhal, bem como outros documentos/abaixo-assinados que se lhe seguiram de aldeias do Barroso, reclamando ou assumindo que os povos passavam a governar o que era seu, como sempre tinha sido, de direito.
A partir da publicação da Lei dos Baldios, em fevereiro de 1976, por iniciativa dos povos serranos apoiados no início pela SADA (Serviços de Apoio e Dinamização Agrícola) elegeram-se dezenas e dezenas de Conselhos Diretivos de Baldios (CDB) que passaram a gerir diretamente os seus baldios. Foi com base nesta dinâmica que o Movimento dos Baldios se estruturou e organizou 7 Conferências Nacionais, 1 Congresso Ibérico e 3 Congressos Europeus das Áreas Comunitárias, estes últimos em parceria com os representantes da Organização Galega de Comunidades de Montes Veciñais en Man Común e 2 Encontros nacionais dos Agrupamentos dos Baldios.
Conferências Nacionais dos Baldios
2022
VII Conferência Nacional dos Baldios
A VII Conferência Nacional dos Baldios realizou-se a 23 de julho de 2022, na Aula Magna da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real tendo como tema central “Os Agrupamentos de Baldios e o Futuro da Gestão Comunitária”.
Esta Conferência que contou com cerca de 400 presenças, de representantes dos Baldios do Norte e Centro do País, da FORESTIS, Professores Universitários de várias Universidades de Portugal e da Galiza, Entidades Oficiais e especialistas nos diversos recursos sobre as energias limpas, Presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Diretora do Norte do ICNF em representação do Secretário de Estado da Conservação da Natureza e das Florestas.
2017
VI Conferência Nacional dos Baldios
No dia 2 de julho de 2017 a BALADI – Federação Nacional dos Baldios realizou, na Aula Magna da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real, a VI Conferência Nacional dos Baldios centrando-se no tema “Os Baldios – 40 anos depois de abril, recursos e oportunidades para o desenvolvimento sustentado das comunidades locais”. Para além do tema central, esta sexta edição dividiu-se em 3 subtemas: “O futuro quadro legal dos Baldios”, “Desafios do associativismo em áreas baldias” e “Baldio: Espaço de oportunidades” que se distribuíram por 3 salas.
A conferência contou ainda, com a presença de cerca de 350 participantes, entre representantes das comunidades locais, dirigentes associativos, técnicos e académicos, nacionais e estrangeiros, Vereador da Câmara Municipal de V. Real, Presidente do ICNF, Deputados do PS, PEV, BE, PCP, Presidente da Comissão da Agricultura da A.R. e o Secretario de Estado das Florestas.
A realização deste evento teve como pano de fundo: o futuro da Lei do Baldios; os desafios que estão colocados ao Associativismo em áreas baldias; o espaço multifuncional dos territórios comunitários e os seus recursos endógenos. A problemática da Conferência acabou por ser fortemente marcada pelos trágicos acontecimentos dos grandes incêndios em Pedrógão Grande e concelhos circunvizinhos. A resolução, aprovada unanimemente pelos conferencistas, afirma que a Floresta tem que ser vida e não morte e que o Estado, enquanto detentor do poder, dos recursos e dos meios, tem por obrigação de dar a resposta necessária à nossa floresta, aos seus autóctones e à economia nacional. Reclamaram o apoio financeiro para as vítimas dos incêndios e reiteraram as críticas relativas à descriminação dos fundos comunitários para os Baldios. Referiram ainda os principais aspetos negativos da lei 72/2014 e os seus objetivos persecutórios contra os Baldios e os seus compartes bem como a forma sub-reptícia encontrada para a privatização dos Baldios, através da figura e do novo conceito de património autónomo.
No seu discurso de encerramento o Presidente da Direção da BALADI, finalizou dizendo que a nova Lei dos Baldios terá que romper com as várias perversidades da Lei 72/2014, caso contrário os compartes de Portugal não se coibirão de vir para a rua defender com a mesma bravura e afinco como o fizeram aquando das 26 tentativas (Projetos-Leis), que visavam alterar o património comunitário que a história nos legou, o 25 de Abril nos devolveu e a Constituição da República o Consagrou.
Agrupamentos de Baldios – Modelos de governança participativa em áreas comunitárias agrupadas
Nas últimas duas décadas a BALADI tem procurado alertar sobre a necessidade de reagir à problemática da degradação da gestão dos territórios comunitários e de infletir o caminho de desinvestimento baseado em leis e modelos de gestão com quase um século, com tendência a arrastar as comunidades e territórios a um ponto de difícil retorno.
A Lei de Bases da Política Florestal (Lei n.º 33/96, de 17 de agosto) e a Estratégia Nacional para as Florestas (RCM n.º 6-B/2015, de 4 de fevereiro) reconhecem a existência de problemas e apontam para a necessidade de melhorar o apoio técnico e flexibilizar os modelos de gestão dos baldios. Também a atual Lei dos Baldios (75/2017 de 17 de agosto), pela contribuição da BALADI, acabou por consagrar este figurino de gestão feito pelas Comunidades Locais ao identificar os Agrupamentos de Baldios (AB) como uma mais-valia neste processo de gestão de escala.
Neste seguimento, e após alguns meses de desenvolvimento, foi assinado em 2019 um contrato-programa entre a BALADI e o ICNF, replicado também para a FORESTIS, para o desenvolvimento de um projeto piloto para a constituição e dinamização de um total de 10 Agrupamentos de Baldios para cada Federação.
Para a BALADI as áreas comunitárias baseiam-se na relação de uma comunidade com o seu território. O modelo de governança agrupado idealizado pela BALADI não pretende a fusão de baldios nem a perda de território ou identidade, mas sim o trabalhar problemas comuns aos territórios rurais de montanha, promovendo um modelo de governança participativo das populações locais, acompanhado de apoio técnico, administrativo e jurídico. Como modelo de governança inovador, sentaram-se à mesma mesa um conjunto de gestores de comunidades vizinhas, muitas vezes com relações históricas e sociais, procurando compensar a falta de massa critica que advém de fenómenos de desertificação e leis e condicionantes altamente restritivas que recaem sob estes territórios. Como área agrupada de grandes dimensões são obtidos benefícios resultantes da economia de escala, melhoria do poder reivindicativo e negocial e defesa dos poderes legais.
Assim o projeto começa por trabalhar os aspetos legais da propriedade e do direito de propriedade. São desenvolvidas competências de gestão administrativa, formação contínua, procurando a melhoria de processos, procurando educar as pessoas para os direitos e deveres, melhorando o processo democrático e participativo deste particular modelo de governança. São levantados aspetos históricos e culturais das comunidades e trabalhado o sentimento de identidade e de pertença – o orgulho em ser comparte. Finalmente são desenvolvidos instrumentos técnicos de gestão florestal, sensibilizando os compartes para a necessidade de gerir de forma económica, ambientalmente e socialmente sustentável por forma a garantir a perpetuidade do território para as gerações vindouras.
Este trabalho pretende dar a conhecer o desenvolvimento e os resultados do projeto piloto para a criação e desenvolvimento de Agrupamentos de Baldios sob o ponto de vista da BALADI, que trabalhou nos últimos 3 anos 55 comunidades baldias, reunidas em 10 Agrupamentos numa área que representa cerca de 56.000 ha. Desenvolvendo o projeto numa perspetiva muito própria de quem tem mais de 20 anos de trabalho associativo junto das áreas comunitárias, incorporou, para além dos indicadores obrigatórios, muitos outros indicadores numa visão integrada do problema. A experiência do projeto foi extremamente positiva e permitiu identificar alguns constrangimentos e potencialidades a ter em conta na possível extensão do projeto ao restante território.
*Fonte: Gomes P., Carvalho A. Modelos de governança participativa em áreas comunitárias agrupadas, Livro de resumos do 9º Congresso Florestal Nacional, Funchal, 10-14 outubro 2022, pág. 127.
2006
V Conferência Nacional dos Baldios
A V Conferência Nacional dos Baldios realizou-se em Viseu, em abril de 2006, sob o lema “30 anos de gestão Democrática dos Baldios, Obra de Abril: Que futuro?”.
Esta quinta conferência teve a presença de mais de mil representantes de Compartes, tendo como pano de fundo, a comemoração dos 30 anos da Revolução de Abril, sendo precedida na véspera da realização de um Encontro Técnico sob o tema “Sustentabilidade da Floresta e Baldios no Quadro do Plano Nacional do Desenvolvimento Rural”. Este evento contou com a participação de Professores da UTAD, ISA, IPB, Faculdade de Economia do Porto e Universidade de Coimbra, Juristas, o Coordenador das Comunidades dos Montes Vicinais da Galiza e a CNA.
Em termos institucionais, foi a primeira Conferência Nacional dos Baldios que contou com a presença do Ministro da Agricultura, da Subdiretora da Direção Geral das Florestas e da Câmara Municipal de Viseu. Uma conferência muita representativa do universo dos Baldios, com a participação de técnicos e especialistas de várias áreas agroflorestais. Em todo o debate e discussão havida, foi aprovada pelos participantes por unanimidade uma moção, sinalizando no tom acerbamente crítico o conteúdo dos dois documentos em discussão pública, a saber: Estratégia Nacional das Florestas e o Plano Nacional de Defesa da Floresta contra incêndios. Documentos que na sua abordagem histórica omitiam por um lado, uma das páginas negras do roubo dos Baldios pela ditadura e por outro, não relevavam a importância dos territórios comunitários como um dos eixos centrais no desenvolvimento da economia local e sustentável nos territórios rurais de baixa densidade. Como ainda, a falta de investimento público nas áreas comunitárias, a inexistências de Equipas de Sapadores Florestais, o combate efetivo aos incêndios e o encerramento dos Serviços públicos essenciais ao bem-estar e desenvolvimento do mundo rural.
No final da conferência realizou-se um desfile alusivo aos 30 anos da gestão dos Baldios que percorreu as principais ruas da cidade de Viseu que culminou na entrega da moção aprovada pelos conferencistas à Câmara Municipal de Viseu.
2001
IV Conferência Nacional dos Baldios
A IV Conferência Nacional dos Baldios, foi realizada em 2001, na Aula Magna da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, na cidade de Vila Real, com a presença de mais de 400 compartes, tendo como principais objetivos: a realização do balanço do trabalho realizado pelos Povos dos Baldios e a constituição e formalização da BALADI enquanto Estrutura Associativa Nacional cujo objetivo era coordenar e representar os compartes de Portugal e seus representantes junto do Poder central e Entidades Regionais. A proposta para a constituição da BALADI – Federação Nacional dos Baldios suscitou um amplo e aturado debate, tendo sido aprovada, unanimemente pelos conferencistas em representação dos vários Secretariados de Baldios do Norte e Centro do País.
Esta conferência viria a concluir que a Lei dos Baldios, ao invés dos objetivos pretendidos dos seus autores, acabou por proporcionar uma certa estabilidade à boa gestão dos Baldios e ao desenvolvimento das Comunidades Locais. O Balanço global efetuado pelos representantes das Comunidades Locais foi francamente positivo, havendo casos apontados como experiências lapidares do trabalho realizado em várias comunidades, no âmbito social e ambiental em muitos concelhos do norte e centro do país. Finalmente a conferência aprovou uma moção denunciando o parecer jurídico elaborado pelo Ministério da Agricultura que visava obstar a passagem dos Baldios para a autogestão sem que a decisão da Assembleia de Compartes tivesse decorrido, num prazo de 20 anos. Tal pretensão não resistiu a uma ação judicial contra o ICNF no Tribunal de Coimbra proposta pelo Conselho Diretivo dos Baldios de Vilarinho, na Lousã, que acabou por dar razão à Assembleia de Compartes, concedendo a passagem imediata da mesma para a autogestão.
Esta Conferência foi o corolário de todo um aturado trabalho realizado pelos vários Secretariados existentes nos vários Distritos do País, conjugado pela necessidade imperiosa de dar a este Movimento Nacional dos Baldios, a sua mais que salutar cabeça técnica, associativa e política, volvidos vinte e dois anos após a realização da sua 1ª Conferencia Nacional. No final do evento os conferencistas promoveram um animado desfile pelas principais ruas da cidade de Vila Real, entoando várias palavras sobre e defesa e cumprimento da Lei dos Baldios por parte das Entidades Oficiais e Governo.
1994
III Conferência Nacional dos Baldios
Em julho de 1994, com o Salão da Aula Magna da Faculdade de Economia do Porto com a presença de cerca de meio milhar de compartes e técnicos, realizou-se a III Conferência Nacional dos Baldios, num quadro marcado por uma profunda crise da agricultura familiar e a aprovação de uma nova Lei dos Baldios – Lei 68/93.
Nesta Terceira Conferência, atendendo à conjuntura da época, decidiu-se convidar algumas personalidades importantes da sociedade portuguesa, desde Professores Universitários, especialistas em diversas áreas e recursos endógenos, a políticos de várias áreas ideológicas. Correspondendo ao convite estiveram presentes: o Juiz Conselheiro Olímpio Dias, homem interessado na floresta, um grande amigo dos Povos dos Baldios; o Prof. Dr. Oliveira Baptista, Professor universitário, cientista, sensível à vida dos problemas dos agricultores portugueses, amigo dos Povos dos baldios, ex-Ministro da Agricultura do V Governo provisório, que preparou o texto da qual viria a sair a Lei dos Baldios e o Dr. Álvaro Cunhal, Secretário-Geral do PCP.
Na resolução aprovada pela Conferência, para além de outras medidas de inegável interesse para os compartes e mundo rural, foi reclamado: maior exigência no que concerne ao apoio económico e técnico para as explorações agrícolas familiares; exploração dos recursos e potencialidades dos Baldios; o respeito pelas atribuições e competências dos Órgãos gestores dos Baldios; aplicação da nova legislação na componente do reforço posse e fruição dos baldios pelos povos. A conferência terminou com afirmação que o 25 de Abril foi a alegria na liberdade dos espaços sem muros na montanha, terras ásperas onde novamente cresceram os rebanhos. Foi com essa esperança e esta força reforçada a partir daí na sua componente unitária e académica que os Povos dos Baldios em Portugal iriam continuar a lutar pelo que é seu, que representa um inestimável património de todo o povo português: a liberdade, a democracia, o direito a participar e a gerir o que lhes pertence.
1984
II Conferência Nacional dos Baldios
A II Conferência Nacional dos Baldios realizou-se em outubro de 1984, na cidade de Viseu, organizada pelos Secretariados de Baldios de Vila Real, Viseu e Coimbra assim como pelos Baldios de Salamonde (Braga), Ansiães (Porto), Carreço (Viana), com o apoio CNA.
Esta Conferência realizou-se num ambiente de grande crispação e contestação dos Povos dos Baldios, dada a conjuntura que então se vivia, com o congelamento indiscriminado das receitas dos baldios, o congelamento nas homologações dos processos eleitorais dos Baldios por parte dos Serviços Florestais, o boicote de alguns Governadores Civis aos Planos de Atividades e Orçamentos, a venda de madeira sem conhecimento do Baldio, a inexistência de apoio técnico por parte dos Serviços Florestais e a realização de escrituras de justificação de terrenos baldios por parte de Juntas de Freguesias. A Conferência debruçou-se ainda, sobre os projetos leis nºs 114/III, 195/III e 281/III da autoria do PS, CDS e PSD que, com algumas ligeiras diferenças, visavam mais uma vez extinguir os Conselhos Diretivos e Assembleias de Compartes, ao revogar os Decretos-Leis nºs 39 e 40/76 e abrir os baldios ao comércio jurídico, passando a sua Administração para as Juntas de Freguesia.
As centenas dos representantes dos baldios presentes nesta Assembleia aprovaram por unanimidade a proclamação: “NÃO DEIXAREMOS QUE NOS ROUBEM O QUE É NOSSO! Não recuaremos um só passo na defesa dos nossos baldios por mais que os Governantes e a cobiça de grandes interesses económicos procurem lançar mãos ao roubo, à imoralidade e à produção de leis contrárias à natureza da propriedade comunitária”. Declararam, ainda, o seu profundo apego às boas leis dos baldios D.L. 39/76 e 40/76 e exigiram que estas sejam respeitadas e integralmente cumpridas por parte das Entidades Oficiais e Governo. Ao mesmo tempo que repudiaram tais intentos reclamaram a retirada, pela Assembleia da República, de tai Projetos-leis violadores dos interesses e direitos dos Povos em relação aos baldios. Uma conferência resiliente face às várias ofensivas em curso, mas confiante na unidade, mobilização e combate doa compartes de Portugal.
1979
I Conferência Nacional dos Baldios
Tendo por base a dinamização de centenas dos Conselhos Diretivos de Baldios já constituídos que os representantes dos compartes e os seus baldios avançaram para a criação da Comissão Promotora e convocaram para 18 de fevereiro de 1979 a I Conferência Nacional dos Baldios, na cidade de Vila Real, com a participação de 1.200 compartes em representação de 320 baldios do norte e centro do país onde aprovaram solenemente uma proclamação: “Os Baldios nas mãos dos povos são maior riqueza para a nação”. 43 Anos depois, muitas das temáticas aí discutidas e aprovadas permanecem completamente atuais, tais como: a florestação de grandes áreas baldias; a extração de resinas; a defesa da floresta contra incêndios; o melhoramento de pastagens; o desenvolvimento da silvo pastorícia e da pecuária; a proteção e defesa dos gados de raças autóctones; o aumento de suínos; ovinos e caprinos; a exploração de aves; a criação de colmeias e a utilização de logradouros e terrenos de cultivo para a produção agrícola.
Desta primeira conferência, saiu um Conselho da Conferência constituído por representantes dos Baldios do norte e centro do país, tendo sido apontada, de imediato, a criação das bases essenciais da construção do edifício associativo local e regional das áreas comunitárias, inicialmente como Secretariados de Baldios de Viseu e Vila Real, incluindo mais tarde Coimbra, Viana do Castelo, Aveiro e Entre Douro e Minho, culminando, em 2001, com a criação formal da BALADI – Federação Nacional dos Baldios.
Congressos Europeus das Áreas Comunitárias
2023
IV Congresso Europeu das Áreas Comunitárias
Nos dias 18 e 19 de novembro de 2023, no Centro Cultural As Pedriñas, na Galiza, realizou-se o IV Congresso Europeu das Áreas Comunitárias, com o tema “Novas economias verdes em áreas comunitárias: espaço de oportunidade ou risco anunciado”.
Organizado pela BALADI e ORGACCMM, este congresso centrou-se na cooperação entre as comunidades de Montes galegas e Baldios portugueses, evidenciando o intercâmbio ibérico direto.
2018
III Congresso Europeu das Áreas Comunitárias
No dia 7 de outubro de 2018 em Miranda do Corvo, a BALADI organizou o III Congresso Europeu das Áreas Comunitárias, centrado no tema “Áreas Comunitárias como suporte do desenvolvimento económico e social dos territórios de montanha”.
O congresso teve como principal objetivo aprofundar o conhecimento sobre as diferentes formas de gestão e utilização das áreas comunitárias na Europa, destacando a sua importância para o desenvolvimento rural.
Durante o evento foram debatidos temas como a gestão participativa e a governança territorial local, o papel da economia social, a valorização ambiental e energética destas áreas e o seu enquadramento jurídico.
Foi também abordada a diferença entre áreas comunitárias e os chamados bens comunais, sendo unânime a necessidade de sensibilizar o Parlamento Europeu para o reconhecimento deste tipo de propriedade, vital para o futuro dos territórios de montanha, muitas vezes esquecidos nas políticas públicas.
2014
II Congresso Europeu das Áreas Comunitárias
No dia 9 de maio de 2014 teve lugar, em Lugo, o II Congresso Europeu das Áreas Comunitárias, dando continuidade ao marco histórico que representou a primeira edição, em novembro de 2011, em Vila Real. No cenário de crise e desconfiança, a ADEGA – Associação para a Defesa Ecológica da Galiza – participou neste encontro, apelando à ação comum entre o ecologismo e as áreas comunitárias.
Neste evento partilharam palco os Baldios portugueses, os Crofts escoceses e os Montes Comuns italianos; todos eles evidenciaram a importância das áreas comunitárias como oportunidade e alternativa face a um mundo rural em decomposição.
2011
I Congresso Europeu das Áreas Comunitárias
A BALADI promoveu o I Congresso Europeu das Áreas Comunitárias na UTAD, em Vila Real, nos dias 23, 24 e 25 de setembro de 2011, onde se reuniram representantes de vários países e regiões da Europa.
Este evento contou com a presença de cerca de 400 participantes, entre os quais organizações ligadas às áreas comunitárias de Espanha, Itália e Escócia, que puderam contribuir com propostas bastante interessantes, com o objetivo de alcançar uma maior valorização das áreas comunitárias.
Este Congresso foi um excelente ponto de partida para um trabalho futuro entre as organizações europeias.
Encontros de Agrupamentos de Baldios
2022
II Encontro Nacional de Agrupamentos de Baldios
Nos dias 10 e 11 de junho de 2022, a BALADI realizou o seu II Encontro Nacional de Agrupamentos de Baldios no auditório da Câmara Municipal de Manteigas, na Serra da Estrela.
Para além de representantes de todos os 10 Agrupamentos de Baldios, esta iniciativa contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Manteigas, Dr. Flávio Massano, de responsáveis das Direções do Norte e Centro do ICNF, representantes da Câmara Municipal da Covilhã, da Junta de Freguesia de Manteigas e, ainda, do Secretário de Estado da Conservação da Natureza e das Florestas, Eng. João Paulo Catarino.
O encontro permitiu que todos os Agrupamentos tivessem a oportunidade de mostrar os resultados preliminares do projeto e foi ainda possível ver in loco os trabalhos desenvolvidos pelos Agrupamentos da Estrela Norte e da Estrela Sul, através de visitas de campo aos seus baldios.
2021
I Encontro Nacional de Agrupamentos de Baldios
No dia 19 de junho de 2021 decorreu, em Mondim de Basto, o I Encontro Nacional de Agrupamentos de Baldios dinamizados pela BALADI, no âmbito do contrato-programa para a constituição e dinamização de Agrupamentos de Baldios entre o ICNF, FFP, BALADI e a FORESTIS.
Contou com a participação do Secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, Eng.º João Paulo Catarino, da Presidente da Câmara de Mondim de Basto, Professora Teresa Rabiço, bem como elementos das Direções do ICNF Norte e Centro, do Centro PINUS, AGIF, CNA e de todos os nove Agrupamentos de Baldios já constituídos.












































































































































































